Edição 217 - Brasília, 08 de abril a 06 de maio de 2018

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Crônica

Lugares sagrados
Em busca dos paraísos literários perdidos

Por Cesar Carvalho

Foto: Cesar Carvalho

Café Les Deux Magots em Paris

Psicólogos e psicanalistas são unânimes em declarar que nosso ego vive nos pregando peças. Você pensa em fazer alguma coisa, aí uma vozinha vem lá do fundo e diz: não, não é desse jeito, faça de outro. Às vezes, a gente nem a ouve, e, quando menos se espera, pronto, está tudo mudado. E isso vivi na pele quando resolvi, final do ano passado, tirar umas férias prolongadas viajando sem destino. Não, não é o que você está pensando, não queria repetir o ideal dos beats e hippies de meados do século passado, quando a palavra de ordem era viajar, se mover, sem ponto de chegada. Mesmo porque, neste mundo globalizado e de sociedades de alto controle, você define seu destino ao comprar as passagens, providenciar vistos e por aí vai. Mesmo respeitando estes limites, a ideia original era essa, e dizia para mim mesmo, tudo bem, vamos pra Europa, mas lá andaremos ao léu, sem definir roteiros, conhecendo os lugares, pessoas, museus, culturas diferentes, etc.

No entanto, nem isso consegui cumprir. Assim que cheguei em Lisboa, nos primeiros dias de andanças pela turística capital lusitana, me vi planejando lugares a visitar: a última casa habitada por Fernando Pessoa, hoje um museu, e os lugares que ele frequentava: o Martinho da Arcada, restaurante que fica numa construção projetada por Marquês de Pombal, no século XVIII; o café à Brasileira, com a escultura do poeta sentado e onde os turistas, inclusive eu, pagam o mico de se fotografarem. Próximo dali, a Praça Luís de Camões, com uma estátua enorme do escritor que, praticamente, forneceu com sua obra máxima Os Lusíadas, os fundamentos da língua portuguesa dos quais nunca escapamos. Além, claro, de perseguir os lugares frequentados por Eça de Queiróz e assim por diante.

Tudo bem, Lisboa é um espaço cênico da vida e obra de autores que, de alguma maneira, marcaram minha geração. Bem ou mal lidos, eles estavam nos currículos escolares da educação pública no Brasil e, como candidato a escritor, formaram meu universo literário. Então, conhecer estes lugares seria uma coisa natural. Mas, o que dizer quando o mesmo acontece numa cidade em que você desconhece quase tudo e de repente se vê em lugares de autores consagrados? Estranho, não?!

Aveiro, Portugal. Estamos em frente ao prédio de número 14, na rua do Príncipe Perfeito. Na porta, duas abas envidraçadas que não permitem ver o interior, um cartaz: VIC Aveiro Art House. Olhei para o número franzindo as sobrancelhas, será que estamos no lugar certo? Tínhamos feito a reserva usando os serviços do Airbnb, e minha expectativa era a de encontrar um prédio residencial, porém aquele não me parecia um. O endereço é este, respondeu minha mulher. Toquei a campainha, e logo apareceu nosso anfitrião, Hugo Branco, um jovem magro, alto, bem vestido, com um largo sorriso realçando seu bigode espesso emendado a um cavanhaque bem delineado, com brincos circulares, nada discretos, balançando ao sabor dos movimentos da cabeça.

Hugo apresentou a nós o quarto onde ficaríamos, um amplo e espaçoso apartamento no edifício de cinco andares, e nos contou um pouco de sua história. Depois da morte do avô, um artista multimídia de Aveiro, propôs à família que, no lugar de vender o edifício para pagar o dispendioso tratamento de saúde do velho, ele o administraria. Um andar do prédio, o apartamento no qual ficamos, com quatro quartos, seria destinado à locação de turistas, os demais andares ocuparia para hospedar artistas e tocar o centro cultural, o Aveiro Art House. Esta seria, segundo ele, uma forma de dar continuidade ao espírito empreendedor do avô que, em plena época da ditadura salazarista, utilizava o subsolo do prédio como sala de cinema, onde exibia os filmes proibidos pela censura e fazia reuniões políticas para discutir estratégias de combate à ditadura.

Ficamos fascinados com a história, e eu, particularmente, emocionado com a breve biografia do avô, Vasco Blanco, que, além de combater a ditadura, era poeta, escritor, ceramista, artista plástico e cineasta. Nesta última função, chegou a ganhar, mais de uma vez, prêmios no Festival de Cannes, sempre resistindo à ideia de se tornar um cineasta profissional. Não sei se Vasco Blanco chegou a se notabilizar além dos limites da cidade, mas deu para perceber que lá, em Aveiro, foi um cidadão bastante conhecido e consagrado. Hugo, fiel à sua memória, organiza eventos levando para a pequena cidade portuguesa artistas de várias partes do mundo.

Bem, comentei com minha mulher, dessa vez não fomos atrás da arte, ela veio até nós. E ela nos perseguiria em outra cidade, Salamanca, na Espanha. Se fomos parar em Aveiro com um objetivo bastante prosaico – minha mulher estava alucinada para experimentar seus famosos doces de ovos – eu, em Salamanca, tinha a curiosidade de conhecer a Universidade, uma das mais antigas do mundo. Mas a coisa foi mais estranha do que poderia imaginar.

Confesso que conheço pouco da literatura espanhola, de modo que em Salamanca, além de visitar a Universidade, visitaríamos seus pontos mais tradicionais e históricos. No primeiro dia, andando próximo da Plaza Mayor, chegamos à Plaza del Carrillo. Na calçada, pouco antes da praça, vi uma estátua um tanto quanto estranha. Era a de um velho, com um boné muito usado pelos espanhóis, e o corpo arcado. Quem seria aquela figura? Nenhuma informação estava grafada na escultura. Por via das dúvidas, tirei algumas fotos.

No dia seguinte, andando meio a esmo, acabamos por passar em frente a uma igreja em ruínas, a Igreja de San Polo, construída no século XII. No fundo da igreja, construíram um hotel e restaurante como se fosse uma extensão das ruínas. Entramos no bar do hotel, tomamos um lanche e saímos pela porta lateral, a que dá acesso às ruínas internas da igreja.

Ao sairmos, vimos, do outro lado da rua, uma praça retangular delimitada pelos altos muros das muralhas de Salamanca, cujos vestígios se vê em várias partes nas proximidades do rio Tormes, na região sudeste da cidade. No meio da praça, três bancos de pedra, distribuídos em distâncias iguais, e, logo depois, uma mureta que a separa de um campo gramado, quase do mesmo tamanho da praça. Do lado direito, acoplado ao muro lateral da muralha, um enorme e irregular painel de pedras avermelhadas. A menos de um metro, a escultura de um velho sentado na mureta, com um boné na cabeça, uma característica capa salmantina e o rosto virado para o painel.

Na verdade, a escultura não me chamou a atenção, à primeira vista. Fui atraído pelo texto impresso no painel de pedra onde li o poema assinado por Pepe Ledesma, como era conhecido o salmantino José Ledesma Criado:


Y allí en la muralla junto al rio
los olivos contemplan tu mirada.
Descansa el alma en la piedra y la voz,
resume el viento la brisa de la tarde.
Y la nube com su color de espuma
camina inexorable hasta el sueño,
como amarilla mancha de paloma,
como largo fluir de soledades.
Y allí em la muralla junto al rio
Los olivos contemplan tu mirada...

Minha mulher, atenta aos detalhes, chamou-me a atenção, apontando a estátua:

− Esta é a estátua do poeta!

Fiquei ouriçado. Claro, o Pai de Santo Google responde a todas as perguntas e nele encontrei informações sobre o poeta. Uma delas é que aquele lugar onde está sua escultura de bronze é conhecido como Rincón del Poeta porque, em seus passeios, costumava-se sentar naquela mureta para descansar. Morto em 2005, publicou cerca de dezessete livros de poemas e é um dos personagens mais respeitado da cidade, ainda que muitos duvidem de sua qualidade poética e o acusem de ter delatado inúmeros compatriotas à repressão franquista. Nem uma coisa nem outra me desanimaram, mesmo porque costumo, principalmente depois do predomínio do politicamente correto, onde o artista é censurado por suas posições políticas, separar a obra da vida do autor para evitar que a qualidade artística seja maculada pela, nem sempre ética, vida privada. Naquela mesma tarde, procurei seus livros nas várias livrarias pelas quais passávamos, mas, todos estavam esgotados. Todavia, não desisti até que, no dia seguinte, dei a sorte de encontrar o último exemplar de uma antologia publicada um ano após sua morte. O título, Las Monedas de Hiedra, pareceu-me bem adequado ao tipo de poesia por ele praticado, onde, em muitas, a musa é a cidade emoldurada pelas pedras românicas.

No último dia, tínhamos algumas horas antes do embarque com destino a Paris. Decidimos aproveitá-las para fazer uma última visita à Plaza Mayor, o coração nevrálgico da cidade e ponto de encontro de seus habitantes. Construída em meados do século XVIII, em estilo barroco, é um quadrilátero irregular, mas bastante harmônico, construída com as pedras francas de Villamayor, uma rocha arenítica encontrada nesta província de Salamanca e muito utilizada na edificação de prédios e residências, que dá à praça e à cidade como um todo uma coloração dourada. Era perto do meio dia, e a praça estava lotada. Grupos de pessoas conversando, um outro grupo em torno de um casal celebrando suas núpcias e alguns jovens, um deles fantasiado de toureiro, brincavam.

Entramos num café para descansar e propus darmos uma última volta pelo entorno da praça. Saímos e, cem metros depois, nos encontramos na Plaza del Corrillo, a mesma onde dois dias antes havia fotografado a escultura do velho de corpo arcado. Só que, agora, a escultura estava rodeada por uma quantidade expressiva de pessoas e, na rua, um veículo da TV local. O que estaria acontecendo? Perguntei para um rapaz, de pouco mais de trinta anos, no meu portunhol esquisito, e ele me explicou que tinham acabado de inaugurar o monumento em homenagem ao poeta Remígio Gonçalves Adares, ali, naquela praça, onde o escritor vendia seus poemas por ele mesmo editados. Ignorado pela cultura institucionalizada, Adares tinha o atrevimento, segundo meu informante, de levar às ruas sua palavra poética.

A figura de Adares lembrou-me do movimento Catequese Poética, idealizado e liderado pelo catarinense Lindolf Bell que, surgindo no início da ditadura militar no Brasil, em 1964, levou a poesia para todos os lugares e tinha, como palavra de ordem, “o lugar da poesia é em todos os lugares”. Este mote é cumprido à risca, até hoje, por um dos integrantes do movimento, o poeta paulistano Rubens Jardim, que mensalmente convida poetas a espalharem poesia no coração financeiro de São Paulo no Sarau da Paulista.

Não tive chance de procurar qualquer livro de Adares, pois, em poucas horas embarcaria. Restou-me, portanto, recorrer, mais uma vez, ao Pai de Santo Google para conhecer a vida e obra deste personagem. Em minha busca digital, encontrei o poema Cátedra, que reflete bastante bem o ideário desta figura:

Con la historia de todo lo que sea
llego con cada día aquí lleno de deudas,
lleno de fiestas, con un poco de todos
dentro por dentro permanezco demasiado
atado a estas columnas Plaza del Corrillo
donde la vida cruza hacia la vida
y aquel que no me vea perdido entre
las horas, los otoños, los inviernos
y algún verano cojo.
Todo está tocando estas columnas
mi bandera y mi cuerda mi corazón viajero
en plena madre.
labios de esta bandera que al encenderse
las primeras banderas para el cine,
siempre cuento el dinero.
Mi poesía con acaba porque quiere mezclarse
con aquellos que piensan sobre los que me miden
Palabras como esta:
¡Buscadme por aquí, sepultureros!

Nas dezoito horas de viagem até Paris, nem o desconforto do ônibus, nem a duração da viagem, tiraram minha alegria. Sentia-me abençoado pelos deuses por ter encontrado ao acaso duas figuras poéticas interessantíssimas. Só lastimei não ter ficado mais alguns dias em Salamanca para vasculhar outras pérolas do mundo das letras. De qualquer maneira, em Paris, visitaria alguns dos lugares frequentados pelos grandes artistas, poetas e escritores. Ah, se iria. Ainda que me considere pouco ansioso, esta expectativa me excitava. Nem a perspectiva de chegar à Cidade Luz num de seus invernos mais rigorosos, com o rio Sena transbordando e a neve caindo, levando a temperatura a três, quatro graus abaixo de zero, me tiravam o ânimo.

Três destes lugares me eram prioritários, o Quartier Latin, local privilegiado dos movimentos estudantis em maio de 68; a região de Saint Germain-des-Près, onde se concentravam os surrealistas, existencialistas e outros autores e, claro, o Père-Lachaise, descanso final de muitos deles.

Por acaso, estava hospedado bastante próximo do Père-Lachaise, uma caminhada de vinte minutos, se tanto. Na primeira tentativa, nada. Visitação proibida por medida de segurança. O cemitério só reabriria depois que a neve deixasse de cair, o que aconteceu uns dois dias depois. Fui até lá, mas o cemitério continuava fechado. A neve, muito intensa, tornava o terreno extremamente escorregadio, e o cemitério só permitia a entrada para os participantes de funerais. Uns dez dias depois voltei a insistir. Dei sorte. O piso continuava escorregadio, mas não havia mais o perigo temido pelos responsáveis. Visitei poucos túmulos, Apollinaire, Marcel Proust e, claro, Jim Morrison.

Minha mulher, reclamando por causa do calçamento pedregoso e um tanto escorregadio, me perguntou:

− O que a gente está fazendo aqui? Por que visitar estes túmulos?

Dei um sorriso amarelo. Na verdade, fiquei um pouco envergonhado e sem palavras. Falar o quê? Minha cabeça deu um branco. Dali a pouco, era perto de cinco e meia e o cemitério fechava às seis, os funcionários começaram a nos expulsar:

Va fermer. Va fermer.

No caminho, em direção à saída, observei uma árvore com alguns nós formando uma espécie de careta. Tirei o celular do bolso e a fotografei. Ela parecia me mostrar sua língua e dizer:

− Seu bobo, o que faz aqui? Está com pressa?

Bem em frente à abadia Saint-Germain-des-Près, na esquina do bulevar de mesmo nome, está Les Deux Magots. Um café literário tradicional que existe no mesmo endereço desde 1884 e foi, desde o início, frequentado por poetas, escritores, artistas dos mais renomados. Por ali, no início da década de 20, os surrealistas André Breton, Louis Aragon, Paul Éluard e outros, não menos ilustres, passavam horas lançando as bases de seu movimento. Décadas antes era frequentado por escritores como Oscar Wilde, Alfred Jarry, Verlaine, entre outros. Depois da guerra, Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir passavam ali suas horas matinais escrevendo e conversando. Mais tarde, quando fundou a revista Les Temps Modernes, Sartre e Beauvoir começaram a frequentar e a trabalhar no Café de Flore, localizado no lado oposto do mesmo boulevar.

Na primeira vez em que passamos por lá fazia um frio danado, acentuado por uma chuva fina e congelante. Tanto a esplanada quanto o interior do café estavam lotados, mas, mesmo assim, dei uma olhada nos preços estampados logo na entrada. Desnecessário dizer o susto que levamos. Ponto turístico, de altíssimo nível, o preço de um café era quase o triplo dos de outros locais, menos requisitados. Minha mulher, vendo minha indecisão, perguntou-me se iríamos entrar. Hoje não, respondi, está lotado, mas não saio de Paris sem antes entrar aqui.

Dois dias depois, voltamos. O lugar estava bastante cheio, mas com lugares disponíveis. No meio do salão, duas estátuas chinesas que existem desde o tempo em que Les Deux Magots era uma loja de produtos especiais, fundada em 1813, e devia seu nome a uma peça teatral de bastante sucesso à época, Les Deux Magots de la Chine. O estabelecimento mudou de dono e de lugar por duas vezes até se fixar no atual endereço, mantendo o nome, as estátuas e se tornando ponto de encontro de artistas, escritores e poetas.

Ao entrar, observei que a maioria dos clientes era turista e apenas uma senhora, sentada na mesa perto da porta de entrada, estava com seu notebook aberto e digitava com rapidez. Sentamo-nos e fiz o pedido para o garçom: duas taças de excelente vinho e um prato à base de salmão grelhado. Observava ao redor e só conseguia ver turistas. Falei com minha mulher, em tom irônico:

− Que coisa incrível, não? Um lugar que agasalhou o que de melhor a arte produziu e hoje é um ponto turístico de alto nível. Que merda esse processo de mercantilização que nós vivemos. Somos engolidos pela ganância, e um lugar como este não passa, hoje, de um polo aglutinador de turistas. Onde estão as cabeças pensantes?

Minha mulher limitou-se a ouvir-me. Depois de um tempo, falou:

− Quando a gente saiu de São Paulo, a ideia era passearmos sem roteiros pré-definidos, né?! E o que aconteceu com esse projeto? Em todos os lugares pelos quais passamos, você se preocupou em conhecer, não as cidades, mas os locais frequentados pelos escritores. E agora estamos aqui, num lugar de altíssimo custo – olhou para o prato sobre a mesa e as duas taças de vinho – e vamos gastar uma grana alta. Por quê?

Confesso que foi a primeira vez que me dei conta de minha incoerência. Realmente, desde o início da viagem, tinha uma única preocupação, visitar estes lugares. E visitei todos os que foram possíveis. Aí, refleti: caramba! Não é que ela tem razão. E a gente pensa ser independente, mas no fundo, a gente é conduzida a cada dia por nosso inconsciente, no meu caso, recheado de referências literárias e artísticas que me levaram, mesmo sem saber, a percorrer um roteiro pré-definido.

De qualquer maneira, para mim, pelo menos, foram lugares que de alguma forma me alimentaram espiritualmente. Neles, a energia destes grandes pensadores está impregnada, e, queira ou não, você, que está aberto a este viés artístico, se deixa levar por ela. Ao visitá-los, você não faz outra coisa a não ser reverenciar estes pensadores, escritores, artistas, poetas, que, de alguma forma, fazem parte de seu universo espiritual e cultural. Daí que, concordando com o pensador catalão Fernando Savater, passei também a chamá-los de lugares sagrados. Pois, da mesma maneira que na época romana as casas eram protegidas por divindades, normalmente colocadas à entrada, hoje, que este viés sagrado se dissolveu, estes lugares são protegidos por estas entidades profanas que despertam, em seu interior, o que há de mais sagrado, seu próprio autoconhecimento.

 


Cesar Carvalho é escritor e poeta. Autor dos livros Proesia (2013); Lavras ao Vento, pá (2017) e Toca Raul (2014). Contato: [email protected]